quarta-feira, 10 de maio de 2017

AEROSMITH E VELVET REVOLVER - Estádio do Morumbi - São Paulo, 12 de abril de 2007

Exatamente às dezoito horas e trinta minutos desse dia inesquecível, me dei conta que estava a apenas a algumas horas de realizar o maior sonho que já tive na vida: assistir a um show do Aerosmith...

A quantidade de pessoas era incontável aos meus olhos que nunca haviam presenciado tantas vidas juntas, tantos sorrisos, com o mesmo objetivo. Cheguei ao Morumbi exatamente nesse horário (18 horas), todos em polvorosa falavam numa só voz: 'o Aero vai arrebentar... não vejo a hora... '. Entrando no estádio, a dimensão era maior do que podia supor os números policiais, que estimavam 60 a 80 mil pessoas reunidas - se todos nos soprássemos juntos, o palco viria baixo!!!... A excitação tomava conta de todos e nunca havia visto tantas pessoas juntas de tantos lugares diferentes: BH, PR, SC, RJ, GO, RN e muitos outros estados fora às cidades do interior da própria São Paulo.

Velvet Revolver 

Às 21 horas, o coração estava aos pulos e chegara a hora do Velvet Revolver subir no palco. A banda formada com alguns membros do antigo Guns´n´Roses (Slash, Duff McKagan e Matt Sorum) exceto pelo vocal Axl Rose (que nesta banda foi substituído por Scott Weiland, ex-Stone Temple Pilots) e pelo segundo guitarrista Dave Kushner (ex-Wasted Youth). Com um repertório que prometia incendiar o Morumbi e deixar todos sem fôlego para a atração principal da noite.


O que consegui ouvir primeiro foram os gritos gerais das pessoas enlouquecidas querendo ver Slash - o mito!!!. E num urro só o Velvet Revolver tomou conta do estádio, que enlouqueceu com os primeiros acordes da guitarra Gibson Les Paul do Slash. No palco havia uma passarela de acesso para o meio do público (que não foi usada pelo Velvet Revolver) e eu estava próxima das grades no lado esquerdo e bem próxima ao um dos três telões (dois no palco, sendo um de cada lado e um central atrás no palco). Do telão conseguia presenciar a energia e o esforço do vocalista Scott Weiland para agradar os fãs e não fazer feio, e confesso aqui que ele não fez, pelo contrário agradou muito e deu início a histeria feminina; aos urros masculinos o guitarrista Dave Kushner foi o primeiro a vir na passarela de acesso onde eu estava - juro que nunca na minha vida tinha imaginado estar tão perto a menos de dois metros de um ídolo da adolescência - em seguida Slash também veio fazer companhia a ele o que levou todos ao delírio coletivo.


Scott Weiland, que não soltava um megafone, às vezes berrava por ele colocando o microfone na ponta, o que ficava ensurdecedor, mas digno de alguém que veio para substituir nada mais que Axl Rose. Ele entrou no palco com uma roupa toda preta e um chapeuzinho que deu charme total à composição do estilo, mas na segunda música (Do It For The Kids) já estava como a 'mulherada gosta' : sem camisa e posso até dizer que ele arriscou fazendo as dancinhas do Axl, e pintou os cantos dos olhos de preto como se dissesse: 'look my layers'.


Enfim, a energia foi realmente contagiante e entre músicas do cd Contraband (como "Sucker Train Blues", "Fall To Pieces", "Shilter"), algumas inéditas do novo cd Libertad e claro, também foram tocadas algumas do Guns´n´Roses (It's So Easy e Mr. Brownstone) e do Stone Temple Pilots (Crackerman e Sex Type Thing). O Velvet Revolver foi seguido pelo platéia que no decorrer das músicas, notava-se os sotaques que se misturavam fazendo um só coro de incentivo. Scott Weiland cantou a maior parte do tempo na minha frente, a menos de dois metros, e em muitos momentos senti o sorriso no rosto de Slash quando ele ouvia a multidão em plenos pulmões elevando sua estima berrando seu nome. E Slash fez o tão esperado solo de guitarra lembrando os bons tempos da 'dupla dinâmica' Axl x Slash (voz/guitarra).

Quando o Velvet Revolver deixou o palco ovacionado, não deixando a desejar em nada, brilhou, levou a multidão à loucura, e ainda com mais gana de ver os célebres mestres sobreviventes de três décadas de muitos altos e baixos.

Set List do Velvet Revolver
*Let It Roll
*Do It For The Kids
*Sucker Train Blues
*She Mine
*Fall To Pieces
*Crackerman
*Get Out The Door
*It's So Easy
*Quick Machine
*Set Me Free
*Sex Type Thing
*Mr. Brownstone
*Slither

Aerosmith 

Às 23 horas meu coração já não batia, apanhava dentro do peito e parecia que todo o público havia desaparecido, todas as vozes se calaram, eu apenas observava a preparação do palco, cada passo, cada pessoa, contando os segundos, só tinha olhos para o relógio para ver o show do Aerosmith - a única apresentação no Brasil da tour Route Of All Evil que promove o álbum Devil´s Got A New Disguise.

Em apenas 15 minutos tudo ficou pronto e às luzes se apagaram - achei que fosse enfartar - e quando ouvi os acordes de Love In An Elevator e a doce voz de Steven Tyler fazendo a alegria da multidão presente (antes continuar queria deixar ressalvado aqui que farei o possível para separar minha admiração pessoal e tentar ver o show pelos olhos de uma pessoa que apenas admira a banda como outra qualquer - coisa difícil, imagine meu esforço). E o vocalista mostrou um figurino com um estilo bem glam rock, ou seja, calça jeans branca e com joelheiras douradas, muitas pulseiras, camiseta regata preta na maior parte do tempo (apesar de ter entrado com uma florida de botão branca transparente), chapéu de cowboy branco uma encharpe charmosa no pescoço de oncinha que foi atirada ao público, olhos pintados com lápis preto e na barriga estava escrito: "Me lambe" (o que não faltou foi vontade).


Voltando ao rock´n´roll, eles tocam em seguida as músicas Toys In The Attic e Dude (Looks Like a Lady), canção que Steven Tyler mostrou um rebolado com muita sensualidade e gestos obscenos, mas nada que ofendesse e sim enlouquecesse, e a cada grito, cada gemido do vocalista provocava uma contorção em todas as mulheres, porque temos que admitir que antes dele descer na terra para nascer, ele ganhou um carimbo especial:´Você vai ser o cara!!´, pois ele mostrou carisma, sensualidade, originalidade, sedução, sex appel, charme, de forma digna de um astro do rock mesmo.


Depois foi a vez de Fallen in Love e o primeiro grande ápice da galera, muitos esperavam por essa música que vem de um dos melhores discos da banda, o álbum Nine Lives (a maioria dos comentários era de que o set se concentraria em álbuns como Permanet Vacation, Big Ones e Nine Lives). Cryin, a seguinte, apresentou um solo de gaita perfeito e vale lembrar que depois Steven atira a gaita à multidão que avançou em cima do objeto como se todos pudessem reparti-lo (Steven jogou depois de passá-la na boca muitas vezes instigando a imaginação feminina ao lado contrário ao meu).

Seguindo com What It Takes do álbum Pump, que começou com uma capela todas as vozes fazendo coro e no momento do refrão os instrumentos entraram em sincronia com as vozes como se tivesse havido ensaio antes. Jaded do álbum Just Push Play veio dando o ar da graça e em seguida tivemos Baby, Please Don´t Go e Stop Messin´Around (com vocais de Joe Perry) dois clássicos do blues regravados no estilo do Aerosmith no álbum Hookin´ On Bobo.


Depois de Seasons, foi a vez do hit Dream On, onde o entusiasmo e a contribuição da galera com seus isqueiros e celulares acesos no estádio todo apagado deixaram o Morumbi simplesmente fantástico. Maravilhoso também foi ver a emoção de Steven Tyler no telão ao agradecer em língua portuguesa a multidão de fãs presentes em São Paulo com o tradicional 'obrigado!!!'. Seguindo o set, mais outro explosivo hit da carreira da banda com Janie´s Gotta a Gun (do Pump) e para manter o clima perfeito eles executaram Livin On´The Edge (do Get A Grip) - outro grande momento, porque foi quando Steven acessou a rampa que dava acesso para onde eu me encontrava a menos de 2 metros, ali me olhou na multidão deu uma piscada, aquele sorriso e saiu correndo para o outro lado fazendo todos formar uma onda acompanhando seus passos como se pudéssemos nos mexer também.

Após essa seqüência destruidora, chega a vez da balada I Don't Want To Miss A Thing, um momento delirante que não tinha como conter as lágrimas, porque sei que esse seria um momento raro, único e inexplicável que não existe uma única palavra capaz de definir o que eu estava sentindo.


Retomando o hard rock eles apresentaram Rag Doll, seguida da clássica Sweet Emotion, um momento muito esperado pelos fãs desde a recuperação de Tom Hamilton (já que o solo é dele nesta música e através de recados trocados no orkut, os fãs combinaram nesta hora do show para pudessem homenageá-lo gritando seu nome. E deu resultado, ele se emocionou com o carinho do público em polvorosa gritando: "Tom, Tom, Tom....").


E tenho de comentar que o Aerosmith provou que quanto mais velho... melhor, e a experiência realmente faz a diferença. Steven sabe muito o que faz, o que agrada, e apesar da empatia de Joe Perry, tenho que admitir que ele arrebentou na guitarra com seus solos e também quando cantou Draw The Line. Tom Hamilton mostrou que seu temporário afastamento só contribuiu para o crescimento da banda e que voltou maior que nunca com seu baixo mágico, Brad Whitford como segundo guitarrista não ficou atrás de Joe Perry deu igualmente o melhor de si mesmo e contribuiu bastante pra grandiosidade do show e ganhou em simpatia de Perry (antipático, mesmo no palco), Joe Kramer mais rechonchudo que o normal arrasou na batera. E o bis tão esperado com Walk This Away com direito a palhetas atiradas por Perry, garrafa de água e coca-cola e óculos (que claro quebrou) por Tyler.


Saí daquele estádio realizada, sabendo que nunca outra banda vai superar um espetáculo como esse, em 94 no Hollywood Rock, o público não era composto apenas de fãs da banda, eram diversas bandas no festival e a maioria estava lá pelo heavy metal e não pelo hard rock, mas dessa vez foi diferente: o Velvet Revolver estava com uma grande parcela dos fãs esperando para vê-los, mas a imensa maioria era de amor puro e devoção ao Aerosmith, que espero não demorar muito para voltar ao Brasil, e fazer um espetáculo tão grandioso como esse do dia 12 de abril que com certeza vai marcar a vida de muitas pessoas como único, inexplicável, sagrado e divino.



Valeu muito, pois cada momento aguardado, porque foi exatamente o que eu esperava: 18 horas sem dormir, 6 horas em pé, 4 horas sem comer, 2 horas sem ir ao banheiro.. ufa!!! - faria tudo de novo sem pensar duas vezes, isso sem contar a grana gasta, mas isso é outra história. O Aerosmith merece todos os créditos e boa crítica assim como o Velvet Revolver que passou a ocupar um espaço diferenciado nas minhas preferências musicais. Parabéns aos cinco elementos que compõem Aerosmith e desejo muitos anos de estrada ainda e ao Velvet Revolver - sejam bem vindos!!!


Set List Aerosmith
*Love In An Elevator
*Toys In The Attic
*Dude ( Looks Like a Lady )
*Fallin In Love
*Cryin'
*What It Takes
*Jaded
*Baby, Please Don't Go
*Stop Messin' Around
*Seasons
*Dream On
*Janie's Got A Gun
*Livin' On The Edge
*I Don't Want To Miss A Thing
*Ragdoll
*Sweet Emotion
*Draw The Line
*Walk This Way

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